Hades (ou seria Plutão?)

Deus do mundo subterrâneo, Plutão, na mitologia romana, é o senhor dos mortos. Considerado um Deus impiedoso e distante, seu palácio está imerso na escuridão do submundo. Na órbita mais distante do Sol gravita um planeta anão presumivelmente gelado e escuro. Nada mais adequado que chamá-lo de Plutão.

Percival Lowell, astrônomo americano, estava convencido da existência de um nono planeta no Sistema Solar localizado além da órbita de Netuno. As previsões Newtonianas em desacordo com as observações disponíveis sobre a órbita de Netuno eram, de acordo com Lowell, consistentes com a presença de um novo planeta. Proveniente de uma família abastada estadunidense, ele fundou seu próprio observatório em 1894 e se dedicou a busca do planeta X.  Lowell morre em 1916 sem concluir suas pesquisas. Catorze anos após sua morte, o astrônomo Clyde Tombaugh acidentalmente descobre esse planeta enquanto trabalhava para o Observatório Lowell em 1930. Plutão se tornaria o nono planeta do Sistema Solar.

Com o avanço tecnológico, observações mais precisas começaram a ser realizadas em todo mundo. Em 1992, o primeiro objeto transnetuniano foi descoberto por pesquisadores da universidade do Havaí, o 1992QB1. Mas o que são objetos transnetunianos? Qualquer corpo (que não se enquadre na definição de planeta ou planeta-anão) que orbita o Sol a uma distancia média superior a de Netuno. Com o passar dos anos, vários desses objetos começaram a ser descobertos. Vale lembrar que até a descoberta do 1992QB1, Plutão era considerado um planeta e ainda o seria até o ano de 2006.

Em 2005, astrônomos do Caltech descobriram um objeto transnetuniano maior que Plutão, conhecido atualmente como Éris. Um dilema foi criado. Ou Éris seria o décimo planeta do Sistema solar ou Plutão deveria deixar de ser considerado um planeta. Em 2006, uma votação entre os membros da União Astronômica Internacional (do inglês IAU) decidiu que Plutão seria reclassificado como um planeta-anão. Um planeta-anão orbita em torno do Sol e é massivo o suficiente para assumir uma forma esférica. Contudo, ele é pequeno demais para conseguir desobstruir sua órbita que pode, por exemplo, ser repleta de asteróides.  Atualmente, além de Plutão, mais quatro planetas-anões são reconhecidos pela IAU, podendo esse numero aumentar ainda mais: Ceres, Haumea, Makemake e Éris.

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Figura retirada do site space.com. Crédito: Karl Tate, SPACE.com contributor

Plutão voltou a se tornar protagonista nos estudos do Sistema Solar nos últimos meses. Isso porque a a espaçonave New Horizons lançada em janeiro de 2006 chegou finalmente ao seu alvo em julho deste ano (2015): Plutão. Depois de uma longa jornada de quase dez anos, a nave chegou a sua menor distância de Plutão no dia 14 de Julho.

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Imagem feita pela New Horizon 15 minutos antes da sua mínima distância de Plutão. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

Os dados vêm sendo recebidos com entusiasmo pela equipe de colaboradores responsável pela missão. Até agora, Plutão vem superando as expectativas e a diversidade encontrada em sua superfície impressiona. De acordo com o Jeff Moore, líder do time de geologia, geofísica e imageamento da New Horizon, a superfície de Plutão é tão complexa quanto a de Marte. As imagens contudo não se limitarão a Plutão. Suas luas Charon, Nix e Hydra também serão estudadas. E em busca de novas descobertas, vamos desafiando nossos limites e estendendo-os pouco a pouco. A cada vitória, uma centelha de luz na escuridão se torna motivação para seguir em frente. Os dados da New Horizon realmente mostrarão um novo horizonte no nosso entendimento desses objetos longínquos do Sistema Solar.

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Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

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