Admiráveis mundos novos

Bilhões e bilhões de estrelas estão distribuídas no vasto universo em que vivemos. O que tem de especial com a nossa estrela? Hoje acreditamos que o Sol não possui nenhuma particularidade, nada de único, sendo, portanto, semelhante a milhões de estrelas universo a fora.  Por muito tempo durante a história, acreditou-se que o ser humano era especial e ocupava uma posição privilegiada no universo. Muitas batalhas e muito sangue derramado foi necessário para transformar o pensamento, ampliar as perspectivas e descentralizar a Terra. Revoluções protagonizadas por Copérnico, Kepler, Galileu e Newton mudaram o rumo da história e nos proporcionaram uma visão menos restrita do cosmos e da própria existência.

Atualmente, nada nos leva a pensar que o Sistema Solar é o único formado por planetas. Em 1995, foi detectado o primeiro planeta girando em torno de uma outra estrela semelhante ao Sol. Chamamos esses planetas que orbitam uma ou mais estrelas que não sejam o Sol de exoplanetas. Da mesma forma como acontece no Sistema Solar, os exoplanetas têm propriedades variadas e estuda-los nos proporciona um maior entendimento dos sistemas planetários em geral e de ambientes jamais explorados ou sequer imaginados.  O foco, contudo, é encontrar planetas semelhantes a Terra, orbitando uma estrela semelhante ao Sol e dentro da zona habitável. Isso quer dizer que a procura se concentra em exoplanetas orbitando dentro de um limite de distâncias específico com relação a sua estrela, possibilitando que temperatura proporcionasse água em estado líquido na superfície. Essa característica é fundamental para  surgimento da vida como a conhecemos.

452b_system_comparison
Crédito: NASA/JPL-CalTech/R. Hurt

A dificuldade de detecção ainda é o maior empecilho no estudo de exoplanetas, mas novas técnicas de observação estão em constante desenvolvimento. A sonda Kepler, lançada em março de 2009, faz parte do programa de descobrimento da NASA para detectar exoplanetas potencialmente habitáveis.  A sonda Kepler já detectou mais de mil exoplanetas até o presente. Esse ano, a Nasa anunciou a primeira descoberta de um planeta com tamanho próximo ao da Terra, dentro da zona habitável de uma estrela semelhante ao Sol. Sabe-se que Kepler-452b é um pouco maior que o nosso planeta, sua órbita é de 385 dias e ele está 5% mais distante de sua estrela que a Terra do sol.  Além disso, esse planeta está mais tempo na zona habitável da sua estrela que a Terra está na zona habitável do Sol. Ou seja, Kepler-452b possui características que possibilitariam o desenvolvimento da vida. Agora é esperar por novos dados para determinar melhor suas propriedades.

Como são feitas as detecções, por exemplo, de planetas tão distantes, pequenos, de pouca massa, baixa luminosidade? Essa não é uma tarefa fácil. O método utilizado pela sonda Kepler é conhecido como trânsito e é baseado em um fenômeno simples:  quando o planeta passa na frente da estrela do ponto de vista de um certo observador (a sonda, nesse caso) causa uma pequena alteração no brilho da estrela.  Esse mesmo fenômeno é observado, por exemplo, em eclipses solares, no qual a radiação solar é bloqueada pela Lua. É importante salientar que nem todos os planetas apresentam trânsito, pois, em relação a observadores na Terra, podem nunca passar na frente de suas respectivas estrelas. Existem porém outros métodos de detecção e outros experimentos em andamento nessa intrigante missão na busca pela origem da vida no universo.

Escrito por

Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

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