Lisboa

Hora de escolher o destino. É sua primeira viagem para a Europa, ai você pensa… vou para Portugal, lá pelo menos não terei problemas com o idioma. Não sei se sou a única, mas tenho uma certa dificuldade de entender o português falado lá na terra de Cabral. Nada que não se resolva depois de um dia inteiro passeando por Lisboa. Os ouvidos parecem se acostumar com a nova melodia da língua mãe. Sem contar que a quantidade de brasileiros morando ali não é tão pequena e os Alfacinhas já estão acostumados às nossas palavras e trejeitos.  Quando percebem que você é brasileiro tratam logo de trocar comboio por trem e autocarro por ônibus para explicar o caminho. E nos dirigimos ao Castelo de São Jorge.

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Castelo de São Jorge
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Vista do alto do castelo

Localizado na freguesia de Santa Maria Maior, o castelo nomeado em homenagem ao santo padroeiro dos cavaleiros, nos fornece uma vista formidável da cidade. Com a invasão da Península Ibérica no século VIII pelos muçulmanos, a atual cidade de Lisboa passou a se chamar Al-Ushbuna. A fortificação foi construída no século XI para defender o centro do poder político e militar da cidade. Os cristãos investiram contra a fortificação muçulmana, numa batalha que durou três meses, e por fim conquistaram a cidade em 1147 com auxilio de cruzados (dai o nome do Castelo) que se dirigiam a Terra Santa.  A partir do reinado de D. Afonso Henrique, o Castelo de São Jorge conheceu seu período áureo servindo de residência para o Rei e sua corte. Quando Portugal foi integrado à Coroa da Espanha em 1580, o Castelo de São Jorge volta ao seu caráter militar, que se mantém até o início do século XX. Devido ao seu inestimável valor histórico, o Castelo de São Jorge foi classificado como Monumento Nacional em 1910.

Um outro Monumento Nacional desde 1907 e de parada obrigatória é o Mosteiro dos Jerónimos. Construído no século XVI perto das margens do rio Tejo, o mosteiro foi um pedido feito pelo rei D. Manuel I à Santa Sé com intuito de transformá-lo em mausoléu da dinastia Avis-Beja. O mosteiro foi dedicado à Virgem de Belém e exibe uma fachada de mais de trezentos metros. A igreja de Santa Maria de Belém, que faz parte do mosteiro, é composta de três naves a mesma altura e impressionam pelo tamanho. Logo na entrada, vemos os túmulos do grande poeta Luís de Camões e do incansável explorador Vasco da Gama. O corpo de outro ilustre poeta português e considerado por muitos como um dos maiores do século XX, Fernando Pessoa,  também se encontra hoje mosteiro. A ordem de São Jerónimo ocupou o local por quatro séculos e tinha como uma de suas funções rezar pela alma do rei e prestar assistência espiritual aos navegadores dos grandes descobrimentos portugueses. O local foi desocupado no século XIX para se tornar uma instituição de acolhimento de órfãos e mendigos até 1940. Hoje é uma das atrações turísticas mais importantes de Portugal e em 1983 foi classificado como Patrimônio Mundial pela UNESCO.

DSCN0863Às margens do rio Tejo, a Torre de Belém  foi eleita como uma das sete maravilhas de Portugal em 2007. Pronta em 1520 foi construída originalmente para servir de obstáculo aos navios que chegavam pelo Tejo. A torre fazia parte de uma formação de defesa que incluía mais duas fortalezas: o baluarte de Cascais e a fortaleza de São Sebastião da Caparica. Ali era também o ponto de partida para as explorações marítimas Portuguesas. Com a evolução dos meios de ataque, a torre foi utilizada para outros fins nos séculos seguintes, servindo, por exemplo, de prisão durante o reinado de Filipe II de Espanha e posteriormente por João IV de Portugal. E por falar na era dos Descobrimentos, justificado orgulho Português, um enorme monumento foi erguido nas proximidades da torre em 1940. O Padrão dos Descobrimentos DSCN0860à beira do Tejo resume um passado de glórias simboliza a obra do impulsionador das grandes descobertas: o infante D. Henrique. Os dizeres, “Ao infante D. Henrique e aos Portugueses que descobriram o caminho do mar” adornam a ancora da simbólica caravela que leva ao mar alguns protagonistas da era de ouro Portuguesa, dentre eles Pedro Álvares Cabral.

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Na fila pelos pastéis

E não podemos nos despedir de Lisboa sem agradar outros sentidos. Hora de nos deliciarmos com o bacalhau com nata. Não lembro o nome do restaurante onde comi o bacalhau, na verdade era uma padariazinha perto do hotel. O local era muito simples e o bacalhau divino. Por ser uma comida tipicamente portuguesa você não terá dificuldade em encontrar onde come-la. Outra iguaria que nos faz incorrer sem culpa no pecado da gula são os maravilhosos pastéis de Belém. Você encontra o doce mais famoso do pais em qualquer lugar, mas não deixe de visitar a Fábrica Pastéis de Belém, que fica bem próxima ao Mosteiro dos Jerónimos, para comer o clássico e tradicional docinho de nata. Os donos garantem que a receita é a mesma desde 1837 quando o local foi inaugurado. Eu, como testemunha, afirmo que é parada obrigatória. Saímos de lá com uma caixinha recheada de pastéis que só duraram algumas horas e na boca, aquele gostinho de quero mais.  EDSCN0838 que tal agradar também a audição? O Bairro alto, além de super charmoso e representar a boêmia de Lisboa, é o lugar ideal para escutar um bom Fado. Entre galerias de arte e lojas, muitos bares e restaurantes te presenteiam com a tradicional musica Portuguesa ao vivo. Por entre frases melancólicas o fadista canta o sofrimento, a saudade, a dor… e não se espante se souber que o Fado, como movimento literário e artístico, foi elevado à categoria de Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2011.

Escrito por

Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

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