Atenas

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Panorama de Atenas

Com quase 3500 anos de história, berço do conhecimento e da cultura, a Grécia impressiona.  Em um rompante criativo e intelectual, desenvolveu-se a filosofia, a matemática, as ciências, a política, a arte e o rumo da civilização ocidental. De uma das mais importantes cidades-estado da antiguidade à capital e maior cidade do país, Atenas é hoje o centro econômico, político e cultural da Grécia. Durante sua fundação, os imortais do Olimpo foram convocados para disputar a honra de proteger a região contra, por exemplo, guerras e desastres naturais. Poseidon (deus supremo dos Flavio 064mares) e Atena (deusa da sabedoria e da guerra) disputaram acirradamente esse título de protetor. Os habitantes teriam a difícil missão de escolher o deus que os iria representar baseado no presente oferecido por ambos. Poisedon, com seu tridente, fez jorrar água salgada da Acrópole. Atena fez da terra brotar uma árvore, mais tarde chamada de oliveira. Os frutos serviriam de alimento e de matéria prima para o óleo que manteria a chama das lamparinas sempre acesas. Diante disso, Atena foi aclamada protetora do lugar que em sua homenagem passou a chamar-se Atenas.

Flavio 065Na Grécia antiga, as acrópoles eram construídas no ponto mais alto da cidade como cidadelas.  Uma das mais importantes acrópoles do mundo é, sem dúvida, a de Atenas. Ocupada desde o início do segundo milênio a.C., a cidade alta perdeu sua função de fortaleza depois de ser invadida pelos Persas em aproximadamente 480 a. C. Nesse período, foram construídos na Acrópole seus principais templos, sendo ela, a partir de então, atribuída aos cultos cívicos e religiosos. Iniciava-se o período clássico da democracia grega e para proclamar a glória de Atenas, o Parthenon foi construído em homenagem a principal divindade da cidade. Além do Pathernon, na Acrópole está localizado o templo de Erecteion, dentre outros monumentos. O maior evento religioso de Atenas era uma procissão chamada de Festival Panatenaico, no qual uma túnica feminina era levada ao Parthenon para vestir a estátua de Atena. Esse festival foi também retratado no diálogo entre Sócrates e Euthyphro, na obra de mesmo nome do célebre filósofo grego Platão. Dai se vê a importância desse templo na antiguidade. Contudo, depois do século 5 d. C., o Parthenon sucumbiu ao cristianismo e se tornou uma igreja, primeiramente dedicada a Santa Sofia, e mais tarde a Virgem Maria. A partir de 1456, depois da invasão e domínio de Atenas pelo Império Turco Otomano, o Parthenon tornou-se uma mesquita até finalmente ser bombardeado e praticamente destruído em 1687. A Grécia, como país independente desde 1827, tenta restaurar e preservar seus monumentos, transformados em ruínas durante anos de guerras e descaso.  As estruturas da Acrópole, algumas com mais de 2000 anos de idade, são classificadas desde 1987 como Patrimônio Mundial pela UNESCO, além de serem o símbolo do progresso e do conhecimento do Ocidente em uma época de puro florecer do pensamento humano.

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Estádio Panatenaico

Além de tudo isso, os famosos jogos olímpicos também foram criados pelos gregos com a finalidade de homenagear os deuses dois milênios antes de Cristo. A lendária oliveira de onde eram retiradas as folhas para confecção das coroas entregues aos vencedores foi plantada por ninguém menos que Hércules, filho de Zeus. Um milênio mais tarde os atletas das cidades-estado se reuniam no santuário de Olímpia para disputar diversas competições esportivas. Os jogos, realizados a cada 4 anos, foram proibidos a partir do século IV d.C quando o imperador Romano Teodósio I condenou a adoração a deuses pagãos. Os jogos olímpicos de verão de 1896, realizados em Atenas, ficaram reconhecidos oficialmente como os primeiros jogos olímpicos da era moderna. As olimpíadas voltaram a Atenas em 2004, sendo o estádio Panatenaico, construído em 566 a. C, palco da chegada dos maratonistas. A minha breve visita a Atenas deixou um gostinho de quero mais. Para minha sorte, o legado artístico da Grécia antiga está esparramado por museus de todo o mundo. O legado cultural e intelectual está por toda parte que se olhe.

Escrito por

Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

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