Praga

Saída diretamente dos contos de fada, a cidade, rodeada de castelos, nos remete a um mundo fantástico. No inverno, com os dias mais curtos, a neve a se aglomerar no chão, o centro histórico, iluminado pelas luzes amareladas das ruas e das construções, adquire um ar quase sombrio. Praga, a capital da República Checa, impressiona até mesmo durante um despretensioso passeio a pé, com cada rua te transportando para uma Europa medieval que não quer ser esquecida.

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Ali parada na Praça da Cidade velha, observo atentamente o belo Relógio Astronômico medieval que a cada hora dá vida aos apóstolos de madeira Flavio 014que parecem caminhar dentro de diminutas janelinhas na parede da Prefeitura Municipal da Cidade Velha. O Orloj completou, em 2010, mais de 600 anos de história e merece um post a parte no canal de ciência. Vislumbrando todo aquele aparato temporal, não pude deixar de imaginar se Johannes Kepler também se admirou com todo esse cenário durante sua estadia na cidade como matemático imperial em meados do século XVII. Durante os anos de ouro da astronomia em Praga, o incansável observador dos céus Tycho Brahe (ele e Kepler tiveram uma inusitada parceria) fez da cidade sua eterna morada. Tycho encontra-se sepultado na Igreja de Nossa Senhora de Tyn.

Conectando a Cidade Velha e a Cidade Baixa, a Ponte Carlos corta o rio Vltalva em direção ao magnífico Castelo de Praga. Protegida por torres e adornada por trinta estátuas barrocas (réplicas, as originais foram transferidas para o Museu Nacional), a ponte do século XIV é ponto de encontro entre turistas e artistas de rua. O Distrito do Castelo surge imponente. Fundado no século IX, o Castelo de Praga é uma das construções mais importantes da cidade e é considerado o maior castelo do mundo. No interior do castelo, a Catedral gótica de São Vito, com suas pinturas medievais e pedras semi-preciosas, é a maior da República Checa: uma explosão de megalomania.

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Cemitério judeu visto pelas grades do portão fechado. Falta de sorte!

O bairro judeu antigo, separado de Praga por um muro, abrigou e sepultou seus moradores por séculos. O pequeno cemitério do bairro se tornou praticamente um cemitério vertical, quando camadas e camadas de terra eram depositadas umas por cima das outras para que todos pudessem ser enterrados geração após geração. Somente no século XVIII, os muros foram derrubados e os judeus libertados do seu isolamento. O atual bairro tem como atração principal o cemitério com 12 mil lápides em sepulturas distribuídas em até 12 camadas de terra. Ali, naquele cemitério, os judeus teriam conspirado contra o mundo de acordo com Os Protocolos dos Sábios de Sião, história retratada também no romance de Umberto Eco “O Cemitério de Praga”.

Próxima ao centro histórico, a cidade nova é tudo aquilo que o nome indica: prédios novos, centros comerciais, lojas de luxo, cafés e restaurantes. E antes de nos despedirmos de Praga, é impossível nãoFlavio 079 retratar o pecado da gula. A comida é pesada (talvez pelo frio, ou talvez para ajudar no exagerado consumo de bebidas alcólicas, ou talvez pelos dois). O sabor: surpreendente. Os dumplings estão sempre nos cardápios e o joelho de porco também ajuda a manter a temperatura do corpo estável no inverno. Mas o melhor de todos eu deixei para o final. Para você que é fã de carteirinha de comida japonesa, peixe cru, o próximo passo natural: carne de vaca crua, com gema de ovo cru. O que?!! Tatarak. De acompanhamento, torradas e alho. Um dos pratos mais inusitados e deliciosos dessas minhas andanças pelo mundo.

Escrito por

Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

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