Veneza

Quatro séculos atrás, os céus de Veneza já ganhariam notoriedade através das lentes do telescópio recém construído de Galileu. Foi ali no nordeste da Itália que uma das descobertas mais importantes da astronomia tomou forma e ganhou o mundo. O céu não era um paraíso imutável, e quatro pequenos corpos orbitavam Júpiter. A torre de quase cem metros de altura na Praça de São Marcos foi o cenário da incrível façanha. O Campanário da Basílica de São Marcos é um dos atuais símbolos da cidade. Infelizmente, a torre não é mais a mesma da época de Galileu. Ela foi reconstruída em 1912 depois que a original desmoronou em 1902. Porém, a vista do alto continua a ser privilegiada…

Contudo, muito antes da invenção do telescópio, logo após a queda do Império Romano, a região de Vêneto foi ocupada por povos vindos de várias regiões da atual Itália.  A cidade de Veneza cresceu literalmente sobre as águas do mar Adriático. As diversas ilhas da região não mais comportavam o crescimento populacional. A expansão era inevitável. Aterrando as porções de mar entre as ilhas, construindo pontes, e desenhando os famosos canais que viraram cartão postal da cidade, Veneza surgia. Não é de se espantar que já na Idade Média, ela gozava de um papel fundamental nas rotas marítimas e comerciais da Europa. No século XIX foi incorporada a Itália, se tornando ponto de encontro entre viajantes de todo o mundo.

Flavio 022Caminhar pela cidade sem pressa e desvendar seus mistérios faz parte do roteiro de qualquer turista. São dezenas de canais conectados por centenas de pontes que te faz perguntar: será que realmente existem pessoas que moram aqui? Sim, são quase 300 mil habitantes que vivem na cidade e muitos esperam o barco todos os dias na estação para ir ao trabalho. A gôndola, o tradicional barquinho veneziano, é disputado apenas por turistas. O passeio é interessante e os gondoleiros bastante habilidosos. O preço? Nada em Veneza é barato, muito menos um tradicional passeio de gôndola pelos canais mais famosos e badalados do mundo. O maior deles, o Grande Canal, corta praticamente toda a cidade e sofre com os engarrafamentos de lanchas (particulares e táxis), vaporetti (transporte público) e gôndolas. Um espetáculo.

Morar sobre o mar tem seus inconvenientes. Durante a maré alta a cidade fica praticamente submersa. Mas não se preocupe, você não precisa saber nadar (os hotéis normalmente oferecem coletes salva-vidas). Brincadeira. A água pode chegar na altura dos joelhos. Talvez você não precise de yycoletes salva-vidas, mas com certeza precisará de botas impermeáveis. Principalmente no inverno. Como a acqua alta faz parte do dia-a-dia de Veneza, as botas são vendidas por toda parte. Se precisar calce as galochas e rume mais uma vez para a Praça de São Marcos. Além do Campanário, a torre do relógio do século XIV e os prédios históricos de tirar o fôlego compõem a paisagem da Praça, com destaque, claro, para a venezia_basilica-di-san-marco_2Basílica de São Marcos. Mais de mil anos de história pesam sobre aquelas paredes recobertas de mosaicos de ouro e bronze. Toda a imponência da Igreja Católica da Idade Média concentrada em um edifício cheio de pompa, circunstancia e exageros. Na fachada, os cavalos de bronze, alvo de disputas no passado, foram substituídos por réplicas. Os originais,  saqueados de Constantinopla em 1204,  levados para Paris por Napoleão Bonaparte no final do século XVIII, e por fim devolvidos a Veneza em 1815,  permanecem hoje protegidos no museu da Basílica.

Por fim, não poderia me despedir da bella Venezia sem mencionar o principal souvenir da cidade: as máscaras. O carnaval de Veneza é bastante conhecido em todo o mundo, uma tradição que perdura desde do século XVI. As máscaras são o adereço mais importante, o disfarce da nobreza junto ao povo. Em cada esquina, encontramos as famosas máscaras penduradas em barraquinhas ou expostas em vitrines. Baratas, vendidas nas ruas, ou caríssimas vendidas em lojas de arte. Simplesmente maravilhosas. Escolha a sua.

Escrito por

Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

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