A Via Láctea

O termo galáxia deriva da palavra grega “gala” que significa leite. A faixa esbranquiçada de aparência leitosa que vemos no céu em uma noite escura (longe das grandes cidades) é a galáxia da qual fazemos parte: a Via Láctea. O Sol é uma estrela entre centenas de bilhões  que formam essa grande coleção de estrelas, gás e poeira.

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Sul da Namibia: Via Láctea. Crédito de imagem & Copyright: Florian Breuer

Nossa Galáxia é constituída por um disco onde se encontram seus braços espirais. No ano de 2015, astrônomos brasileiros da UFRGS, liderados pelo pesquisador Denilson Camargo, confirmaram a presença de quatro braços espirais principais na estrutura da Via Láctea: Perseus, Scutum-Centaurus, Sagittarius e Cygnus (ou Exterior). São nesses braços que a maioria das estrelas da Galáxia se formaram. Além do disco, o halo e o bojo (região mais central) completam a estrutura da Via Láctea. O halo envolve toda a Galáxia e possui baixa densidade estelar. Ele possui grande valor científico, pois contém objetos velhos que nos permitem estudar a evolução da Via Láctea. No centro da Galáxia, as pesquisas indicam a presença de um buraco negro aproximadamente um milhão de vezes mais massivo que o Sol.

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Imagem gráfica. A Via Láctea e nossa localização. Crédito: NASA/Adler/U. Chicago/Wesleyan/JPL-Caltech

Mapear a Galáxia não é uma tarefa fácil. O Sol está localizado no braço de Orion, e visualizar toda sua estrutura obervando-a da Terra enfrenta grandes dificuldades. Além de estarmos dentro da Galáxia, nuvens de gás boqueiam nossa visão. Sabemos, contudo, que seu diâmetro é de aproximadamente 100.000 anos luz (a distância, no vácuo, que a luz percorre em um ano). Ou seja, um ano-luz corresponde a aproximadamente 9500 bilhões de quilômetros. Faça agora as contas para saber o tamanho da Via Láctea! Estamos localizados dentro do Grupo Local constituído de três galáxias maiores (incluindo a nossa e Andrômeda) e outras dezenas de galáxias menores. A Via Láctea possui inúmeras galáxias satélites conhecidas, como por exemplo, a Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães (ambas podendo ser observadas a olho nu).

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Localização da Pequena Nuvem de Magalhães (quadrado aberto a direita da figura). Céu de Brasília dia 18/01/2016 às 22:53 (o horário mostrado abaixo é da cidade de Hefei/China). Crédito: Stellarium

Acredita-se que a Via Láctea começou a partir da contração de uma enorme nuvem de poeira, formando a protogaláxia. As primeiras estrelas foram formadas, então, em uma distribuição parecida com a atual distribuição do halo da Galáxia. Parte dessa nuvem inicial formou o disco da Via Láctea que se achatou devido ao rápido movimento de rotação.

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Via Láctea vista da Estação Espacial Internacional. Crédito de imagem : NASA/Reid Wiseman

Escrito por

Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

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