De Salerno a Pompéia: uma jornada inesquecível

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DSCN1021Banhada pelo mar e incrustada nas montanhas surge Salerno. Logo na chegada, o verdadeiro cartão postal da Costa Amalfitana. Casinhas construídas sobre o desfiladeiro, coloridas e desajeitadas, numa desordem simpática. A cidade é aconchegante, e oferece paz e tranquilidade aos viajantes. Um passeio pelas diminutas praias de areia escura, e cheias de pedrinhas em nada lembram o extenso litoral brasileiro. É por isso que encanta, é diferente. Chega a ser inusitado. Em plena primavera fria, italianos já estendem suas toalhas em busca de sol e calor. Com pouco tempo para explorar, andamos de trenzinho por Salerno. Vimos as ruas estreitas e charmosas, igrejas e parques com árvores frondosas e cheia de frutos, mar esverdeado, e acima de tudo pessoas simpáticas e prestativas. Salerno foi nosso ponto de partida.

 

A costa Amalfitana estende-se por 60 quilômetros no litoral da Campânia entre Salerno e Sorrento.  De carro, percorremos o litoral por estradas esculpidas no precipício em direção a Amalfi. O cenário a beira-mar é encantador. A beleza e o estilo de cidadezinha do litoral fazem de Amalfi uma cidade muito visitada durante a alta temporada. Caminhando pelas ruas é fácil encontrar lojinhas de frutas e licores. O limoncello, licor de limão produzido nessa região da Itália, pode ser encontrado facilmente e é uma delicia. E por falar em limão, os limoeiros estão por toda parte e você vai, com certeza, se impressionar com o tamanho deles. O Duomo di Sant’Andrea, catedral do século IX, surpreende pela escadaria que termina na fachada de mármore e pedras reconstruída em 1891. Hora de colocar o carro na estrada.

Dormimos em Pompeia, sob a quietude ensurdecedora do vulcão Vesúvio. Em 79 d.C. uma erupção destruiu as cidades Romanas de Pompeia e Herculano. A 22 quilômetros de Nápoles, Pompeia foi literalmente sepultada pelas cinzas do vulcão. A cidade esquecida foi redescoberta 1600 anos depois. Acredita-se que a exposição ao calor tenha sido a principal causa das mortes dos habitantes de Pompeia. A cidade foi totalmente coberta por fragmentos de rochas expelidas pelo Vesúvio que chegaram a impressionantes 25 metros de profundidade. A escavação de um canal subterrâneo para desviar o curso do rio Arno, em 1599, revelou a cidade perdida. Percebeu-se espaços vazios circundando os esqueletos humanos soterrados. Os corpos se decompuseram dentro da cinza endurecida, deixando para trás o vazio, uma moldura dos habitantes de Pompeia mortos no desastre. O gesso derramado nesses espaços fez renascer os habitantes, e revelou suas posições no momento da tragédia. Mais de mil “corpos” foram encontrados.  A cinza preservou Pompeia por séculos, que hoje engessada revela uma riqueza de detalhes inacreditável aos olhos. Andar pelas ruínas é voltar no tempo. As casas, os utensílios domésticos, e até as marcas de roda nas ruas, agora esburacadas, revelam como era a vida ali há quase dois mil anos. As obras de arte recuperadas, muitas transportadas para museus da região. As paredes das casas sempre pintadas, ornamentadas. Esculturas. Pompéia, a cidade que sobreviveu intacta a passagem tempo, mesmo que morta, petrificada, ela vive.

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Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

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