Observando o passado

O universo é literalmente uma máquina do tempo. Olhar para o céu é olhar para o passado. Tudo isso porque a velocidade da luz não é infinita e, portanto, não observamos nada ao nosso redor instantaneamente. Pense, por exemplo, em uma noite escura sob uma forte tempestade. Quando um raio corta o céu, podemos demorar para a ouvir o estrondo correspondente. A velocidade do som é menor do que a da luz. A onda sonora (que é uma onda mecânica) precisa de um meio para se propagar, sendo sua velocidade no ar de aproximadamente 1226 quilômetros por hora. As ondas eletromagnéticas se propagam no “espaço vazio” (vácuo) com uma velocidade de 300.000 quilômetros por segundo. Ou seja, a luz viaja a uma velocidade altíssima, e por isso, nos eventos do dia a dia tudo parece acontecer instantaneamente. As distâncias no espaço são, contudo, imensas e mesmo viajando tão rapidamente, a luz leva um certo tempo para chegar até nós.

O objeto mais próximo da Terra no espaço é o seu satélite natural: a Lua. Ela está distante quase 400.000 quilômetros de nós. Faça as contas. A luz demora um pouco mais de 1 segundo para viajar da Lua à Terra. Então, quando paramos para admirar a Lua, estamos vendo como ela era um segundo atrás e não como ela é no exato momento que a vemos. Parece pouco? Nos afastemos um pouco mais da Terra. O Sol está  distante cerca de 150 milhões de quilômetros e, portanto, sua luz demora 8 minutos para chegar até nós. Para se ter uma idéia, as distâncias no universo são medidas em número de anos a luz leva para viajar de um ponto ao outro, unidade conhecida por anos-luz. A estrela mais próxima de nós está a 4 anos-luz. Quanto mais longe olhamos no céu, mais andamos para trás no tempo. Quando observamos objetos celestes dentro da nossa própria galáxia, a Via Láctea, na realidade, vemos como eles eram há milhares de anos.

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O zoom de algumas partes da imagem do universo profundo coletada pelo telescópio espacial Hubble. Crédito da foto: NASA/ESA/S. Beckwith(STScI) and The HUDF Team.

Observar as galáxias distantes, nos faz voltar ainda mais no passado. Andrômeda, a galáxia mais próxima da Via Láctea, está a 2,5 milhões de anos-luz da Terra. A luz que saiu do aglomerado de Virgem, na nossa vizinhança,  quando os dinossauros ainda dominavam a Terra (há 60 milhões de anos) está chegando até nós hoje. O Telescópio espacial Hubble é capaz de produzir imagens do espaço profundo, revelando galáxias a bilhões de anos-luz de distância. Essas imagens possibilitam o estudo de um universo muito mais jovem e o processo de formação das primeiras galáxias. As informações sobre os objetos antigos nos possibilita entender como o universo evoluiu desde seus primórdios até agora.

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Aproximadamente 10.000 galáxias no espaço profundo observadas pelo telescópio espacial Hubble. As galáxias mais antigas já vistas de quando o universo tinha apenas 400 milhões de anos. A idade do universo é estimada em 13.8 bilhões de anos. Crédito da imagem : NASA/ESA/S. Beckwith(STScI) and The HUDF Team.

Escrito por

Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

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