Feira de ciência e tecnologia, Xangai 2016

IMG_1678Abril de 2016, e a cidade de Xangai expõe produtos futurísticos, e outros nem tanto, na feira de ciência e tecnologia. Representantes do Ministério de Ciência e Tecnologia e do Ministério do comércio Chinês comandaram a cerimônia de abertura. Estrangeiros e chineses se aglomeravam no pavilhão de exposições para observar as mais novas tecnologias, estande a estande. Empresas tentando vender suas idéias e produtos. Os chineses, grandes consumidores de aparelhos eletrônicos de última geração, não escondiam animação diante de tantas opções. Nesse ano, o tema da feira foi cidade inteligente, que é caracterizada por sua inovação, tanto na área de geração de conhecimento (por parte da população e de instituições) quanto na sua infraestrutura digital para comunicação e gestão.  Resumindo, inovação, tecnologia, infraestrutura, sustentabilidade, e comunicação são palavras chave de uma smart city. Para se ter uma ideia, no Brasil, a cidade do Rio de Janeiro foi classificada segundo o ranking Connected Smart Cities como a cidade brasileira mais inteligente e conectada de 2015, e que melhor consegue a aproveitar as tecnologias para solucionar os problemas urbanos.  

IMG_1683A Itália foi a anfitriã da festa nesse ano de 2016. Instituições de ensino e empresas italianas ocupavam grande parte do salão de exposições. Com o objetivo de estreitar a relação Itália-China, tanto no âmbito dos negócios como na educação,  várias autoridades comandaram a mesa redonda na tarde de terça-feira, 21 de abril, incluindo a vice-ministra do meio ambiente italiano Barbara Degani. Dentre os institutos de pesquisa, estavam presentes, entre outros, a Scuola Superiore Sant’anna-Galileo Galilei Italian Institute e o Italian National Institute for Nuclear Physics (INFN). O interesse é aumentar a colaboração entre docentes das universidades de prestigio de ambos os países e promover o intercâmbio de estudantes, através de programas de financiamento como, por exemplo, o Horizon 2020.

Atualmente, o meio ambiente é uma das maiores preocupações dos governos e instituições de todo mundo, e aqui não foi diferente. A China sofre com os estragos ambientais causados pelo rápido crescimento econômico das últimas décadas. Desde 2014, as leis ambientais do país foram reformuladas com intuito de combater a poluição tanto do ar quanto dos recursos fluviais que afeta a maioria das cidades. Energia limpa, purificação da água e alimentos foram um dos principais tópicos. A China se tornou em 2011 a maior consumidora mundial de energia e a segunda maior consumidora de petróleo, ficando atrás somente dos Estados Unidos. Uma pesquisa em 2012 realizada pelo U.S. Energy Information Administration mostrou que aproximadamente 66% do território chinês é abastecido por usinas de carvão e menos de 1% por energia renovável. O planejamento é reduzir para 62% a utilização da queima de carvão, principal responsável pela péssima qualidade do ar nos grandes centros próximos aos pólos industriais, até 2020. Para isso o governo chinês vem incentivando e financiando pesquisas em energia limpa e sua implementação.  Em um dos estandes da feira, os painéis solares ganharam destaque. Conversando com o engenheiro responsável pela instalação em industrias da região, descobri que os painéis podem reduzir o consumo de energia em até 30%. Além disso o governo oferece diversos programas de incentivo para viabilizar a instalação, possibilitando que o investimento seja pago em alguns anos.

IMG_1684Em outro corredor, o supermercado do futuro alia inovação e tecnologia na escolha dos alimentos. Ferramentas digitais tornam as compras mais fáceis e personalizadas graças aos displays que permitem ao consumidor saber a procedência do alimento que deseja, a tabela nutricional, alergenicos, dentre outras informações, além de mostrarem em tempo real promoções e itens mais vendidos. Um aplicativo no celular ajuda o cliente a navegar pela loja e encontrar os produtos mais adequados para o seu estilo de vida.

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Display no supermercado do futuro

Sem dúvida, contudo, o produto que mais chamou a atenção dos curiosos da feira foi um spring_clean_digtial_clutterenorme drone estacionado no meio so salão. Com espaço para duas pessoas, ele pode ser pilotado facilmente pois é tudo praticamente automatizado, atingindo uma velocidade de quase 100 quilômetros por hora no ar. Perguntei para o representante qual era a utilidade prática do drone, e ele me respondeu: por enquanto, diversão. O preço do seu brinquedinho de luxo: 90.000 dólares. E claro, não faltaram rôbos… cada um com sua habilidade, de atarraxar parafusos à realizar pequenas tarefas domésticas. Me fez lembrar os Jetsons. Será que o futuro é agora?

Escrito por

Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

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