Irã – Shiraz

Na cidade dos poetas, inspirações não faltam. Aromas, cores e sabores tornam a cidade não só um deleite para os olhos, mas um convite irrecusável a experimentar o novo. Pelas ruas escaldantes do verão iraniano vou descobrindo histórias, construções, pessoas e costumes de um povo que não cansou de me surpreender. Pelos poemas recitados de cor, pela paixão com que contam suas histórias, pelo misticismo que guiam suas vidas. Hafez, um dos maiores poetas líricos da Pérsia, é reverenciado.  Nascido no século XIV, seus poemas de amor influenciam jovens de todo Irã ainda hoje, e seu túmulo é bastante visitado por turistas de todo o mundo. Assim, como Dante, Hafez teve sua Beatriz, Shakh-e Nabat, um romance impossível eternizado em poesias.  Alí, no belo jardim que rodeia o túmulo de Hafez, moças se aglomeram ao redor de um senhor, um adivinho. Querem saber o futuro, e em um país no qual raramente as mulheres escolhem seus maridos, querem saber sobre o amor. Entrei na fila. Por mais que eu perguntasse sobre o futuro da minha carreira, ele me respondia que eu não deveria me preocupar… eu iria casar em breve e teria dois filhos! Retratos de uma cultura. Paguei.

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Misticismo e religião se unem. Em um dos mais importantes lugares de peregrinação de Shiraz, a Mesquita Shah Cheragh (Rei da Luz), a segurança é reforçada. Antes de entrarmos precisamos colocar o Chador (veja o post), pois ainda não estamos cobertas o suficiente. Você pode trazer o seu, ou alugar um na entrada. Prepare-se para caminhar desengonçadamente com tanto pano amarrado ao seu redor. Passamos pelo detector de metais sob a vigilância de senhoras carrancudas que avaliavam nossa vestimenta. Procure não usar sandálias, os pés descalços não são recomendados, principalmente se as unhas dos pés estiverem pintadas. Os sapatos devem ser retirados ao entrar no salão principal. Gentilmente fui impedida de entrar maquiada. Me ofereceram um pano umedecido para retirar meu belo batom vermelho gritante (que idéia também…). Dentro da Mesquita, contudo, a imagem não poderia ser mais fascinante. As paredes, todas trabalhadas em mosaicos de espelho, impressionam. As portas cobertas com painéis de prata protegem a túmulo dos irmãos Ahmad e Muhammad. Ali, agarradas às grades que as separam do túmulo, mulheres se entregam às orações. Homens e mulheres não dividem o mesmo espaço. Estive em algumas mesquitas.  A Mesquita Vakil com paredes também decoradas por mosaicos, mas dessa vez não de vidro, foi construída entre 1751 e1773. Em uma delas, tive  também a oportunidade de ficar para uma oração pública que é realizadas 5 vezes ao dia, a Salah. Em horários pré determinados pode-se ouvir por toda cidade a chamada para essas orações. Ganhei de uma das responsáveis da mesquita o Corão e a oração, naquele momento, foi dedicada a uma pessoa importante para mim que havia adoecido. Todas aquelas mulheres ali presentes colocaram suas energias nisso. Agradeci.

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Para quem gosta de compras, e também para quem não gosta, o Bazar Sout Vakil, próximo da Mesquita oferece os mais variados artigos da cultura Persa. Tapetes, muitos tapetes, várias estampas, feitos a mão, de seda, dos mais variados preços e tamanhos. Impossível não comprar nenhum. Bijuterias, toalhas de mesa, roupas, panelas de cobre, tudo, mas tudo que você puder imaginar tinha.  Comidas, especiarias, chás, temperos, lembrancinhas, cores, texturas e mais cores. Compre tudo. Barganhe!

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Belos jardins estão por toda parte, e eu até poderia facilmente me imaginar sentada em um deles, lendo um bom livro. Mas com o verão gritando a plenos pulmões, os passeios se tornaram mais curtos. O Eram Garden é um enorme complexo verde, embelezado ainda mais pelo colorido palácio, que representa o estilo de vida da classe alta de Shiraz do século XIX, e pelas pequenas fontes. Uma rica flora se extende por todo o lado que se olhe. Se você é um amante de plantas, não pode perder esse passeio. As fontes de água são comuns em casas e construções do Irã. O tempo seco e desértico, dão à água o valor que ela que merece. Ao redor de qualquer pequena nascente, Iranianos se aglomeram para coletar água. Dádiva.

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Outro ponto turístico, no centro de Shiraz, lembrando uma fortaleza medieval, a cidadela jaz imponente. Ela abriga o castelo Arg-e-Karim Khan, construído no século XVIII para ser a sede do Império. Hoje, o seu interior foi transformado em museu.  E de Shiraz, nós turistas de carteirinha, deixamos para trás um suspiro apaixonado. Sigh!

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Escrito por

Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

3 comentários em “Irã – Shiraz

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