Top 5 livros: os clássicos/Top 5 books: the classics

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A recomendação de hoje é: leia, leia muito. Não foi fácil selecionar esse top 5, mas a ideia foi escolher 5 autores diferentes para compor a lista. Eu sou uma fã incondicional de Dostoievski, e entre os meus queridinhos pelo menos 3 são dele, mas a palavra de ordem é diversidade. Eu gosto de livros densos, mas prometo fazer um post com leituras mais amenas no futuro. Boa leitura!

  1. Crime e Castigo, Fiódor Dostoievski.

livro-crime-e-castigo-dostoievski-editora-34-traducao-russo-133011-mlb20448989016_102015-fFomos oficialmente apresentados, eu e Dostoievski, quando eu tinha uns 25 anos. Um colega me indicou e disse que tinha certeza que eu amaria. Apesar do livro favorito desse amigo ser outro, ele sugeriu que eu começasse por “Crime e Castigo”, pois seria o meu preferido. Acertou! Foi amor a primeira leitura.

Sinopse:  Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, comete um crime baseado suas próprias teorias, concebidas através de suas leituras mal interpretadas: grandes nomes da história, como por exemplo, Napoleão, foram responsáveis por muitas mortes e ainda assim são considerados heróis e conquistadores na história da humanidade. A angustia do personagem após o assassinato, reproduzida brilhantemente pelo autor, guia a leitura. Ninguém suspeita de Raskólnikov e o crime perfeito começa a esfacelar-se triturado pela seu próprio sentimento de culpa.  Assim como os outros livros de Dostoievski, “Crime e Castigo” contem muitos traços de sua própria vida, trazendo uma veracidade impressionante para a narrativa.

2. A convidada, Simone de Beauvoir.

livro-a-convidada-simone-de-beauvoir-469311-mlb20534921262_012016-fEsse livro tem um apelo sentimental para mim. Desde que conheci Simone, queria ler esse livro e não o encontrava em canto algum. Procurei na internet, em diversas livrarias espalhadas por Roma (onde morava), e quando fui em Paris, procurei por lá também (ela é uma filosofa francesa). Procurei em todas a línguas que eu poderia entender, mesmo que parcialmente. Encontrei, de férias, em um sebo em Brasília e em português! Era o único exemplar e estava bastante desgastado, sem capa e com folhas soltas. Guardo como um troféu.

Sinopse: a obra é baseada na relação entre a autora e o filósofo  Jean-Paul sartre. Ela narra os conflito de uma mulher de 30 anos, alter ego de Simone, durante os meses da segunda Guerra Mundial em Paris. Esse é seu primeiro romance publicado em 1943.

3. Ensaio sobre a cegueira, José Saramago.

enscegEsse livro me impressionou muito pela realidade que ele transmite. José Saramago é definitivamente um dos meus autores favoritos, tanto pelas histórias contadas como pela utilização espetacular da língua portuguesa. Não podia faltar na minha lista um autor que escreve originalmente em português. Para mim,  Saramago brincou com a ideia popular de que “em terra de cego quem tem um olho é rei”, e deu uma nova visão, “em terra de cego quem tem um olho é escravo”.

Sinopse: Em um surto de cegueira, o estado decide, em ordem emergencial, colocar os “infectados” em quarentena. O número de afetados começa a aumentar, e a situação fica dramática quando as condições básicas desses indivíduos começam a faltar e eles são abandonados a própria sorte. Seus extintos primários são expostos e a única mulher confinada que consegue enxergar (ela finge estar cega para acompanhar o marido) se vê na impossível missão de resgatar a humanidade dentro das instalações do centro de contenção. Talvez a semelhança com surtos, como, por exemplo, o de tuberculose,  que a humanidade já passou seja mera coincidência…

4. Os luminares, Eleanor Catton.

119838361_1ggEsse livro é o mais recente da minha lista e o de leitura mais leve. Ele me impressionou bastante pela mistura de elementos que enriqueceram o enredo. Astrologia é um desses elementos-chave. A personalidade dos personagens e os acontecimentos do livro são baseados nas previsões astrológicas. Um livro que te prende do inicio ao fim. Não é à toa que a autora foi a mais jovem da história (28 anos) a ganhar o Prêmio Man Booker. Prepare-se, o calhamaço tem 800 páginas.

Sinopse*:  Ambientado na Nova Zelândia do século XIX, o romance tem como pano de fundo a corrida do ouro, em que personagens tentam desvendar a causa da morte de um homem solitário e descobrir o paradeiro de outro, que sumiu sem deixar vestígios. Trama de mistério, tudo em ‘Os luminares’ é inusitado, no limite entre o estranho e o fantástico. A obra, com mais de 800 páginas, tem estrutura inspirada na astrologia e faz uma paródia do romance vitoriano. O jovem inglês Walter Moody, recém-chegado no isolado vilarejo de Hokitika, na remota Nova Zelândia do século 19, procura descanso após sua tumultuada viagem de barco. Mas, sem perceber, ele acaba interrompendo uma reunião secreta de 12 moradores de Hokitika, que estão tentando resolver um mistério. E é durante a corrida do ouro que personagens excêntricos recontam suas histórias para desvendar a morte de um eremita e o desaparecimento do homem mais rico da cidade. Entre os garimpeiros, um chinês traficante de ópio, um político preocupado com o eleitorado, um magnata cafetão, uma prostituta em luto, um reverendo novato e um guia maori são alguns dos envolvidos nesse mistério. E Walter Moody parece ser uma peça desse quebra-cabeça, após passar por uma experiência beirando o paranormal a caminho de Hokitika, onde pretendia fazer fortuna no garimpo. Catton conduz o leitor por histórias que vão do místico ao exótico. Pepitas de ouro costuradas em vestidos, um tiro de suicídio que não dispara, fantasmas em caixões, uma charlatã que convoca espíritos e usa chineses como estátuas de decoração. Tudo isso na lamacenta cidade de Hokitika, onde chove intermitentemente e que prospera apenas enquanto os rios fornecerem ouro. Eleanor Catton buscou no movimento dos astros as influências para seus personagens, dividindo o livro em partes que seguem as posições astrológicas dos signos de cada um dos envolvidos. Mas, se a Lua em Leão não explica desaparecimentos nem mortes suspeitas, a destreza de Catton costura as histórias mais surpreendentes, criando viradas repentinas na narrativa, conexões inesperadas, experiências com o misticismo e fecha firmemente as várias camadas da trama com clareza.

*Sinopse retirada do site da Livraria Cultura

5. A redoma de vidro, Sylvia Plath.

42744934Eu desconhecia o livro e a autora. Procurando na internet indicações, encontrei “A redoma de vidro” por acaso. Foi uma grata surpresa. Seu único romance é semi-autobiográfico. Sylvia é reconhecida como uma das mais renomadas poetas estadunidenses do século XX. Ela coloca uma luz em uma questão delicada: a depressão. Apesar de ter sido publicado em 1963, trata de um tema atual, a doença que atinge milhares de pessoas em todo mundo, sendo uma triste epidemia no século XXI. Sylvia comete suicido em 1963 aos 30 anos logo após a publicação do livro.

Sinopse*: Dos subúrbios de Boston para uma prestigiosa universidade para moças. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se abrindo para Esther Greenwood, entre o trabalho na redação de uma revista feminina e uma intensa vida social. No entanto, um verão aparentemente promissor é o gatilho da crise que levaria a jovem do glamour da Madison Avenue a uma clinica psiquiátrica. Lançado semanas antes da morte da poeta, o livro é repleto de referências autobiográficas. A narrativa é inspirada nos acontecimentos do verão de 1952, quando Silvia Plath tentou o suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica. A obra foi publicada na Inglaterra sob o pseudônimo Victoria Lucas, para preservar as pessoas que inspiraram seus personagens. Assim como a protagonista, a autora foi uma estudante com um histórico exemplar que sofreu uma grave depressão. Muitas questões de Esther retratam as preocupações de uma geração pré-revolução sexual, em que as mulheres ainda precisavam escolher se priorizavam a profissão ou a família, mas A redoma de vidro segue atual. Além da elegância da prosa de Plath, o livro extrai sua força da forma corajosa como trata a doença mental. Sutilmente, a autora apresenta ao leitor o ponto de vista de quem vivencia o colapso. Esther tem uma visão muito crítica, às vezes ácida, da sociedade e de si mesma, mas aos poucos a indiferença se instaura, distanciando a moça do mundo à sua volta. ‘Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia’. Ao lidar com sua depressão, Esther também realiza a transição de menina para uma jovem mulher. Mais que um relato sobre problemas mentais, A redoma de vidro é uma narrativa singular acerca das dores do amadurecimento.

*Sinopse retirada do site da Livraria Cultura

I recommend you to read, read a lot. I confess it was not easy to choose this top 5, but I wanted to choose 5 different authors so you have some diversity. I am a huge fan of Dostoievski and, if I could write as a please, from this top 5, at least 3 would be definitely from him. However, I prefere to give you some more options. I do like heavy books. The ones that make you think. I promise, however, to write a post in the future with lighter ones. I wish you a good time during your reading!

  1. Crime and Punishment, Fyodor Dostoievski.

7144We were officially introduced in my middle 20’s by a friend. He said, “you will fall in love with him”. Even though “Crime and Punishment ” was not his favourite, he suggested me to start by it. It worked. It was love at first… read.

Synopsis*: The poverty-stricken Raskolnikov, a talented student, devises a theory about extraordinary men being above the law, since in their brilliance they think “new thoughts” and so contribute to society. He then sets out to prove his theory by murdering a vile, cynical old pawnbroker and her sister. The act brings Raskolnikov into contact with his own buried conscience and with two characters — the deeply religious Sonia, who has endured great suffering, and Porfiry, the intelligent and discerning official who is charged with investigating the murder — both of whom compel Raskolnikov to feel the split in his nature. Dostoevsky provides readers with a suspenseful, penetrating psychological analysis that goes beyond the crime — which in the course of the novel demands drastic punishment — to reveal something about the human condition: The more we intellectualize, the more imprisoned we become.

*Synopsis taken from goodreads.com

2. She came to stay, Simone de Beauvoir.

shecametostayI have some kind of emotional attachment for this book. I looked for it everywhere and I could not find it. A searched in every book shop in Rome (where I was living). When I went to Paris for vacation I searched there too (she was a french philosopher). Not to mention that I looked for it all over the internet. I was about to give up, when I finally found one last copy in a shop for used books in my hometown, Brasília. It had no cover, some pages were loose, but I had my book. It is my trophy!

Synopsis:  this book was written in 1943 as an act of revenge against the woman who nearly destroyed her relationship with the celebrated philosopher, Jean Paul Sartre. The story is based on episodes from her own life during the Second World war in Paris.

3. Blindness, José Saramago.

2526The book impresses by the realistic scenes it describes. Saramago is one of my favourite authors, not only because of his stories, but also by the fantastic use of the language. My list could not be complete without an author that writes originally in Portuguese.  We have the proverb “in the land of the blind, the one-eyed man is king”, and, in  my opinion, Saramago plays exactly with that by saying “in the land of the blind, the one-eyed man is slave”.

Synopsis*: A city is hit by an epidemic of “white blindness” that spares no one. Authorities confine the blind to an empty mental hospital, but there the criminal element holds everyone captive, stealing food rations and assaulting women. There is one eyewitness to this nightmare who guides her charges—among them a boy with no mother, a girl with dark glasses, a dog of tears—through the barren streets, and their procession becomes as uncanny as the surroundings are harrowing. As Blindness reclaims the age-old story of a plague, it evokes the vivid and trembling horrors of the twentieth century, leaving readers with a powerful vision of the human spirit that’s bound both by weakness and exhilarating strength.

*Synopsis taken from goodreads.com

4. The Luminaries, Eleanor Catton.

17333230This book is the newest one in my list and the lighter reading as well. The most fantastic feature about it is the miscellaneous of elements in the plot. The key element is astrology. She uses it to guide the personality of the characters and everything that happens around them. You cannot stop reading. There are many reasons why Eleanor Catton was the youngest person (28 years old) to win the 2013 Man Booker Prize. Prepare yourself, it has 800 pages!

Synopsis*: It is 1866, and young Walter Moody has come to make his fortune upon the New Zealand goldfields. On the stormy night of his arrival, he stumbles across a tense gathering of twelve local men who have met in secret to discuss a series of unexplained events: A wealthy man has vanished, a prostitute has tried to end her life, and an enormous fortune has been discovered in the home of a luckless drunk. Moody is soon drawn into the mystery: a network of fates and fortunes that is as complex and exquisitely ornate as the night sky. Richly evoking a mid-nineteenth-century world of shipping, banking, and gold rush boom and bust, The Luminaries is a brilliantly constructed, fiendishly clever ghost story and a gripping page-turner.

*Synopsis taken from goodreads.com

5. The bell jar, Sylvia Plath.

6514I did not know about this book, or the author. I was looking for some reading recommendations on the internet when I accidentally stumbled on it. It was a great surprise. Sylvia is one of the most renewed north-american poets of the twentieth century. “The bell jar” was her only novel, a semi-autobiographical one. Even though it was published in 1963, it is very modern, enlightening one of the big epidemics of the XXI century: the depression. Shortly after the publication of her book, she committed suicide at the age of 30.

Synopsis*: Esther Greenwood is brilliant, beautiful, enormously talented, and successful, but slowly going under—maybe for the last time. In her acclaimed and enduring masterwork, Sylvia Plath brilliantly draws the reader into Esther’s breakdown with such intensity that her insanity becomes palpably real, even rational—as accessible an experience as going to the movies. A deep penetration into the darkest and most harrowing corners of the human psyche, The Bell Jar is an extraordinary accomplishment and a haunting American classic.

*Synopsis taken from goodreads.com

Escrito por

Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

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