Florianópolis

A capital do estado de Santa Catarina é uma metrópole, mas com a roupagem de pequenas cidades praianas muito próximas umas às outras. Pelo menos foi essa a  minha impressão quando passei de carro pelas ruelas que ligam um bairro ao outro. Estreitas e cercadas de vegetação. Florianópolis atende a diferentes perfis:  aos apaixonados por cidade grande que não dispensam, por exemplo, um bom restaurante ou festas badaladas, àqueles que preferem a calmaria de sentar à beira mar de uma praia quase deserta em meio a natureza, a esportistas que não perdem a oportunidade de estar sempre em movimento ou até mesmo atletas de fim de semana. Florianópolis tem tudo isso e agrada tanto moradores como turistas. Agradou a mim, de curta passagem, visitante atenta que desejou permanecer por mais tempo e quem sabe, um dia, me aventurar por entre as mais de 30 (ou seriam 40?) praias da região sem data para ir embora.

A viagem começa com o roncar dos motores, ou melhor, dos estômagos. Dentre as diversas opções da rica gastronomia local, a sugestão de amigos nos levou diretamente ao famoso e tradicional Ostradamus. Fundado em 1997, o restaurante logo que cogitado para ser o nosso ponto de partida ganhou meu coração. O nome profeticamente escolhido nos remete de imediato a versão em latim de “damos ostras” (?), ou teria sido uma alusão ao presságio de que Ribeirão da Ilha se tornaria um paraíso gastronômico, líder na produção de ostras? De uma forma ou de outra, previ, como que por inspiração divina, não um futuro obscuro, mas sim, um almoço delicioso observando o mar. E mais tarde, com certeza, estaria com uma preguiça no corpo, deitada numa esteira de vime e bebendo água de coco. Sem mais delongas e divagações, vamos aos pedidos: de entrada, ostras gratinadas (as que mais saem) e ostras com abacaxi e figo (novidade do cardápio 2017). As duas são excelentes escolhas, mas eu fico com as últimas por serem mais leves e a cara do verão, além do gosto surpreendente. Ainda de entrada pedimos um ceviche de frutos do mar bastante saboroso. O prato principal “Sai bruxa” foi muito bem sugerido pelo nosso simpático garçom. Peixe grelhado com verduras variadas, acompanhado de arroz e pirão. Atenção: os pratos são muito bem servidos e saímos de lá rolando (2 pessoas).

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Depois de reencontros, muito bate papo e apreciação da paisagem nos dirigimos para a praia de Canasvieiras ao norte da ilha. Invadida por turistas argentinos, a lingua oficial pelas ruas não era obviamente o português. Com a faixa de areia estreita, um lugar ao sol seria realmente um privilégio, e nos contentamos com um passeio pela borda do mar, contemplando o entardecer e realmente tomando uma água de coco. Boas férias são mesmo aquelas que a nossa única preocupação é onde vamos comer na próxima refeição.  O bairro de Jurerê Internacional faz jus a fama. A primeira impressão ao entrar no bairro foi a de que saímos do país. Ora, com a onda de violência a qual estamos equivocadamente acostumados (porque não há mal pelo qual devamos nos habituar), encontrar casarões sem portões, grades, ou cercas elétricas é um tanto surpreendente. Ali, parecendo um bairro saído de um filme estadunidense estavam os casarões cercados apenas por gramas bem cortadas, ruas arborizadas, carros de luxo a desfilar tranquilamente, e para fechar com chave de ouro, o protagonista, o mar. Fomos ao Boteco Jurê, mas ali descobrirmos o Food Park (aberto até 5 de março) cheio de trucks com diversas opções de gordices, além de um bar locomotiva da Eisenbahn, reproduzindo o ícone da marca. Ali os amantes da cerveja podem degustar vários estilos da mesma, entre eles, os rótulos Pilsen, Weiss e Pale Ale.

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Já de manhã, a praia de Jurerê começa a encher aos poucos. E das tribos que coabitam em Florianópolis a dos esportistas ficou clara por ali. Ponto de encontro do clube de corrida, quiosque amontoado de ciclistas paramentados com suas vestes futuristas, e pessoas avulsas se exercitando por todos os lados. Atletas de todos os dias ou atletas de fim de semana num domingo de todos. Um belo dia, um charmosissímo bairro, uma excelente companhia e uma ótima sensação de bem-estar.  Do lado oposto, ao sul da ilha, a praia de Matadeiro foi o nosso reduto naquela tarde ensolarada. O acesso é feito a pé, e é considerada umas das mais bonitas de Floripa. Mais vazia que as demais, é recomendada para um descanso merecido. E é nessa malemolência que me despeço de Florianópolis e da nossa breve estadia. Mas antes de finalizar, uma dica para aqueles que como eu se abatem de uma moleza tremenda no pós praia: o Paellas Chef Serafim entrega esse delicioso prato espanhol no aconchego do seu hotel.  A comida estava ótima, feita com ingredientes orgânicos, e ainda por cima ficamos com a panela (cortesia da casa). Essa foi a pedida de domingo a noite.

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Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

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