Bangkok I: templos, rooftops, mercado flutuante e muitas cotoveladas

Caótica? Nem tanto. Ônibus, carros, tuc-tucs, motos, vespas, e bicicletas conseguem conviver pelas avenidas da capital da Tailândia. Dentro da miscelânea infindável de meios de transporte que abastece o vai e vem de pessoas nem tão apressadas assim existe uma coerência de tráfego, e as leis são de certa forma respeitadas. Não vi motos desviando pelas calçadas e pedestres atrapalhados dando passagem em meio à buzinas desrespeitosas, coisa comumente vista por todos os países asiáticos que visitei. Ostentando o troféu da décima cidade mais populosa da Ásia, Bangkok reune uma mistura de sabores, cheiros, sons, paisagens e texturas que atrai pessoas de todo o mundo, não só de passagem, mas fixando residência para desfrutar desse reduto multicultural, centro financeiro, corporativo, e próxima o suficiente das belas praias, paraísos reconhecidos nos quatro cantos do globo.

Considerado um país religioso, com mais de 90% da população budista, a espiritualidade está por todas as esquinas. Esses profundos traços culturais se fazem notar logo na chegada no aeroporto internacional Suvarnabhumi. Placas alertando turistas desavisados que condutas desrespeitosas com relação ao Buda, incluindo tatuagens do mesmo, são crimes sob pena de prisão. Vários templos estão espalhados pela cidade. Visitamos três. O primeiro, Wat Traimit, localizado na chinatown, foi o mais interessante deles, tanto pela história quanto pela quantidade de pessoas (menos turístico).  Ali repousa o maior Buda de ouro do mundo. Coberta de gesso no templo Wat Phrayakrai, a estátua guardava o segredo sobre sua verdadeira natureza de possíveis invasores. Em 1931, a imagem foi transferida para Wat Traimit. Anos mais tarde, em 1955, uma queda revelou 5,5 toneladas de ouro puro sob a camada de gesso! Datando de aproximadamente 700 anos, o Buda de ouro é avaliado atualmente em 28,5 milhões de libras esterlinas. Além dele, o templo por si só já é uma atração a parte: uma obra de arte.

Este slideshow necessita de JavaScript.

No segundo, o Wat Pho, espere muitos turistas. Famoso pelo Buda reclinado gigantesco em seu interior (46 metros de comprimento), uma das paredes do edifício ainda é ornamentada com 108 recipientes de bronze representando as 108 ações positivas que ajudaram o Buda a atingir a iluminação. Como sorte nunca é demais, seguindo a tradição, jogamos moedas (compradas ali mesmo para ajudar os monges na preservação do local), uma em cada tigela, agradecendo a cada passo à vida maravilhosas que temos. O complexo ainda abriga diversas outras construções magníficas que valem o tempo extra de visita.

Este slideshow necessita de JavaScript.

O terceiro e último, conhecido como templo de mármore, foi construído no ano de 1899, e possui mais de 50 estátuas do Buda, simbolizando as diferentes vertentes do budismo. Existem inúmeros templos por toda Bangkok. Infelizmente, o Grand Palace (residência oficial da realeza até 1925) ficará para uma próxima visita. As chuvas torrenciais dessa época do ano em Bangkok (resumindo, caiu um pé d’água), as monções (de maio a outubro), impediram o passeio. Mais um motivo para voltar!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Outra característica marcante da cidade que viralizou depois do filme “Se beber não case 2” são os bares com vistas panorâmicas da cidade. Que Bangkok é cercada por arranha-céus fabulosos nunca foi segredo para ninguém. O que se popularizou foi o fato de que, em muitos desses, drinks são servidos com todo requinte em rooftops disputados. No filme, a festa acontece no 63º andar do luxuoso Hotel Lebua: no Sky Bar. Nós, para evitarmos um numero grande de pessoas e fila, preferimos o segundo da lista em popularidade, o Moon Bar no Banyan Tree Hotel, andar 61.  Ao chegarmos, o bar estava alagado e interditado. Fomos deslocados alguns andares para baixo (52º) no Latitude Lounge & Bar, que é coberto (uma grande varanda). Acredito que a vista seja igualmente bela da cidade e que os drinks servidos sejam basicamente os mesmos, com a diferença de não podermos ver o céu. Vale a pena pela possibilidade de ver Bangkok do alto, não pelas bebidas que não têm nada de excepcional a não ser o preço. Curiosamente, enquanto estávamos lá, apareceram três turistas (homens e ocidentais) que se sentaram confortavelmente nos sofás disponíveis, tiraram várias fotos, pediram três copos de água, jogaram conversa fora, e foram embora. Recomendo essa ideia 😅

Este slideshow necessita de JavaScript.

Com a chuva dando uma trégua, de manhã saímos bem cedo para um programa bem turístico: visitar o mercado flutuante. Organizamos tudo com a agência de turismo do próprio hotel. Fomos no mais famoso, abarrotado de turistas, menos recomendado de todos (na hora não sabíamos disso, confesso que não tinha pesquisado antes), e cheio de armadilhas de compras: o Damnoen Saduak Floating Market.  Para os desavisados como eu, ele está entre as 12 maiores armadilhas para turistas do mundo, eleito pela CNN em 2011 😂😂!!! Longe de ser uma furada, eu achei o máximo (mas é minha opinião hein). Talvez por causa do diluvio que vinha caindo (o que diminuiu o número de pessoas por ali), ou talvez porque eu não sabia que era uma furada, ou sei lá porque… adorei. Achei diferente, bebi uma água de coco maravilhosa, comprei um traje típico, comi manga com arroz glutinoso (sobremesa também típica), fui enganada por uma vendedora e comprei um tempero por 4 vezes o valor registrado mais tarde em outras lojas no centro (faz parte). Mas a culpa é minha, fico nervosa quando tenho que negociar aqui na Ásia. Eles não me deixam ir embora, ficam abaixando o preço (inicialmente quase no valor do ouro). Ai eu fico meio desorientada e acabo comprando. Já jurei não negociar mais nada por aqui. Sou um alvo fácil.  Se mesmo depois do meu relato sincero, você ainda quiser ir nesse mercado flutuante em específico (existem outros), reserve tempo. O passeio demora, ele fica distante do centro (mais ou menos 100 km). Saímos cedo, antes das 7 da manhã, e estávamos de volta no hotel somente depois das 2 da tarde.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Nesse dia, aproveitamos o resto da tarde para relaxar e fazer uma massagem tailandesa: a melhor da vida! Casas de massagem estão em cada esquina. Escolha a sua. Feita com os polegares, e palma das mãos, os movimentos vigorosos que podem incluir cotovelos e joelhos (nesse caso o da massagista em você, qualquer semelhança com o Muay Thai é mera coincidência) aliviam as dores musculares. O alongamento também incluído na sessão aumenta a flexibilidade das articulações. E por falar em Muay Thai, não poderia deixar de fazer uma aula no berço do esporte, e paixão nacional (e minha também). Aproveitei uma manhã tempestuosa, e fui ao krudam gym. Se essa também for uma de suas paixões, não perca tempo se jogue… ou melhor, chute!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Relaxados e dispostos, rumamos para a Khao San Road. Caótica? Sim. Famosa entre mochileiros e também cenário do filme “Se beber não case 2”, a rua tem de tudo e não tem nada. Têm estúdios te tatuagem (quem se arrisca?), roupas (made in China), lembrancinhas, badulaques e inutilidades em geral. Não achei nada de realmente interessante para comprar apesar de ter descido e subido a rua duas vezes e entrado em praticamente todas as lojinhas, barraquinhas e afins. Bares, restaurantes e casas de massagem também dividem fazem parte das atrações locais. O lugar costuma ficar bem cheio a noite, mas fomos no final da tarde e ainda era possível se movimentar sem esbarrar em nada e ninguém. Ficamos não mais de uma hora (tempo mais que suficiente se você não for comer por ali). Prepara-se, porém, para caminhar quando quiserir embora, a não ser que você queira pagar três vezes o valor da corrida em um taxi ou tuc-tuc. Sim, a máfia é grande, e todos oferecem o mesmo preço para te tirar dali. Caminhe um pouco e se afaste do tumulto. Encontre uma rua mais movimentada e conte com a sorte para achar um taxi! Estão sentido falta da gastronomia local? Em breve…

Este slideshow necessita de JavaScript.

Escrito por

Nascida na capital federal, morei nos EUA, Itália e atualmente me encontro no país mais populoso do mundo. Isso mesmo, estou morando na China, mais precisamente na cidade de Hefei. Sinta-se a vontade para procurar essa pequena cidade (para os parâmetros chineses) de mais de 7 milhões de habitantes no mapa. Sou formada em Física pela Universidade de Brasília e PhD em astrofísica pela universidade de Roma. Sempre ávida por dividir conhecimento, não somente no campo das ciências, mas também as minhas experiências pessoais , preferências literárias, etc. O leque é muito grande, então por simplicidade, digamos que gosto de debater sobre tudo e sobre nada, sobre qualquer coisa der na telha.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s